Drago entrevista: Eduardo Miguel 12/04/2009

Para Eduardo Miguel Laranjeira Martins Júnior, técnico da seleção Brasileira de Hóquei sobre Grama o esporte no Brasil está em fase de desenvolvimento, visto que o Hóquei sobre Grama é o sétimo esporte mais praticado no mundo. Eduardo Miguel acredita que por meio de muito trabalho é possível fazer do Brasil uma potência mundial nessa modalidade ainda desconhecida por muitos brasileiros. Acompanhe a seguir a entrevista exclusiva concedida por Eduardo Miguel à Drago consultoria.

O Brasil tem potencial para se tornar uma das principais equipes de hoquei sobre grama do mundo.

Drago Consultoria: Como surgiu o Hóquei sobre grama?

Eduardo Miguel: A maioria dos pesquisadores concorda que o Hóquei teve origem na região do Antigo Egito por volta do ano 2.000 A.C. Na data de 530 a 510 a. C. historiadores encontraram um baixo relevo que já mostravam uma aceitação do hóquei entre os gregos sendo que se difundiu por vários países do mundo e dizem que é o esporte mais antigo praticado com taco e bola, sendo, qualquer outra manifestação esportiva nesse estilo derivou do hóquei.

D.C.: E no Brasil?

E.M.: No Brasil ele surgiu por volta de 1880 através da colonização inglesa em São Paulo no clube SPAC alguns anos antes do futebol e sua pratica se restringiu aos descendentes e futuramente no Rio de Janeiro com a colônia alemã. Em 2001, foi criada a Associação Brasileira de Hóquei sobre Grama e Indoor – ABH, tendo sido filiada ao Comitê Olímpico Brasileiro no final daquele ano e só em 2005 ganhou o “status” de confederação tento filiados a ela três federações, RJ, SP e SC.

D.C.: Quais são os materiais para iniciar a prática do Hóquei?

E.M.: Ao contrário do que muitos imaginam e a fim de esclarer uma dúvida comum, o hóquei sobre grama pode ser praticado na maioria das superfícies e não exige uma quantidade grande de materiais para iniciação, apenas um taco e uma bola, e após uma maior especialização do praticante, o uso da caneleira e protetor bucal. Ele ainda não é obrigatório em partidas oficiais no qual existe também um goleiro que usa um equipamento específico de proteção.

D.C: Como estão organizados as competições no Brasil?

E.M.: Atualmente temos apenas competições nacionais de equipes adulta nas competições de campo, seven a side e indoor e os atletas menores jogam amistosos e participam de festivais em nível estadual devido ao número ainda em crescimento de praticantes. Já a seleção nacional possui seleção adulta e também participou pela primeira vez esse ano de uma competição sub 21 em Trinidad e Tobago no Campeonato Panamericano Junior, classificatório para o mundial de mesma categoria.

D.C: Quais seriam as diferenças entre essas competições citadas?

E.M.: Para facilitar o entendimento dessas competições podemos compará-las ao futebol, que possui competições de campo, suíço e futsal, equivalentes no hóquei ás competições de campo, seven a side e indoor.

D.C.: Em relação aos jogadores, quantos praticam a modalidade atualmente?

E.M.: Hoje existe por volta de 700 praticantes da modalidade entre adultos e iniciantes e estão distribuídos por Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e agora no Paraná. A tendência com o trabalho de desenvolvimento do esporte é que duplique no próximo ano. Se formos ver hoje, a Argentina possui por volta de 120.000 atletas sendo de 90.000 são mulheres e a população local é proporcional a quantidade de moradores da cidade de São Paulo, isso acaba mostrando que Brasil tem tudo para ser um país de excelente nível na modalidade.

D.C.: A que podemos atribuir essa alta adesão na vizinha Argentina?

E.M.: Se formos observar na história da evolução do esporte veremos que na década de 30 a Inglaterra incluiu a modalidade nas escolas, e mostrou um grande desenvolvimento. Baseando-se nesse modelo a Argentina hoje tem incluso no currículo escolar o hóquei para as meninas que iniciam na modalidade com 6 anos, aumentando cada vez mais o numero de praticantes da modalidade e por tradição tornou-se um esporte familiar onde grande parte ou todos os integrantes da família praticam o esporte. Um exemplo interessante é uma competição criada pelas mães das crianças que levavam seus filhos para os treinos e não tinham o que fazer nesse tempo vago, então decidiram treinar também e formaram a competição de “mamis”. Esse trabalho de base reflete no grande nível técnico dos argentinos sendo que a seleção feminina é a atual terceira potência olímpica reforçando ainda mais o ditado que diz: “da quantidade surge à qualidade”.

D.C.: É verdade que o Hóquei sobre grama possui características comuns ao futebol? Quais são essas características?

E.M.: Sim, é uma grande verdade, a começar pela quantidade de jogadores para uma partida de campo que são 10 jogadores de linha e um goleiro, pela posição dos jogadores e seus sistemas táticos 4/4/2, 4/3/3. Possui dois tempos de jogo e objetivo é fazer gols.

D.C.: Atualmente a Confederação Brasileira de Hóquei sobre Grama – CBHG, vem desenvolvendo projetos para promover a modalidade pelo Brasil. Como são esses projetos?

E.M.: Está sendo feito um grande trabalho para o desenvolvimento de esporte. Primeiro, há alguns anos atrás pensando nos fatores limitantes para o desenvolvimento do esporte e concluindo a dificuldade de acesso aos materiais de hóquei, a confederação comprou em parceria com o COB 2.200 tacos e bolas para iniciação da modalidade. Assim, para quem tem um projeto e deseja iniciar uma escolinha terá a disposição através da CBHG os tacos e bolas necessários para começar o trabalho. Nesses últimos meses estivemos fazendo um trabalho de divulgação nos colégios, clubes e universidades de Curitiba e também fechando parcerias com o SESI e prefeitura para incluir a modalidade nos programas oferecidos à comunidade. Ainda no Paraná, mais especificamente em Maringá e Paranavaí ministrei dois cursos para acadêmicos e profissionais da Educação Física com intuito de divulgar a modalidade e capacitar multiplicadores do desenvolvimento. O mesmo processo será empregado em outros Estados do Brasil que ainda não tiveram a possibilidade de conhecer o esporte. Fora isso, hoje existem diversos projetos em comunidades carentes e escolas públicas do Rio de Janeiro e Santa Catarina.

D.C.: Quem pode praticar o Hóquei sobre grama? Existe alguma restrição?

E.M.: Esse é um esporte que não requer um biótipo específico para sua prática. Costumamos dizer que é um esporte que pode ser praticado por todos e provando isso a Federação internacional criou um DVD promocional mostrando a prática do esporte em várias partes do mundo, com a participação de crianças, adultos, idosos, deficientes físicos, auditivos, com síndrome de Down e também nanismo. A princípio não existe restrição, mas assim como para a prática de qualquer outro esporte, é exigido para alguns exames médicos atestando que a pessoa está apta para a prática de atividade física.

D.C.: Atualmente quais são as principais potências do esporte nessa modalidade?

E.M.: Tirando nossa vizinha Argentina, as grandes potências no esporte estão na Europa e são Espanha, Alemanha, Austrália e Holanda.

D.C.: Quais são as perspectivas do esporte para os próximos anos?

E.M.: Nos próximos anos as perspectivas são de ter federações espalhadas por todo o Brasil aumentando ainda mais a quantidade de praticantes em clubes, que acaba melhorando o nível das competições nacionais. Isso reflete diretamente no alto rendimento, pois aumentando a quantidade de praticantes se cria um amplo leque de escolhas para formar seleções com maior expressão para disputar os campeonatos internacionais. Além disso, queremos fazer cursos de formação para técnicos e também para árbitros que representarão o Brasil nas competições internacionais, pois hoje ainda não possuímos nenhum para tal função.

D.C.: Considerações finais.

E.M.: Um dado interessante descoberto através de uma pesquisa feita pelo Comitê Olímpico Internacional, é que o Hóquei sobre Grama é o sétimo esporte mais praticado no mundo e esse dado nos leva a refletir que são pouquíssimos os países que não praticam a modalidade. O Brasil hoje está num longo caminho para o desenvolvimento, mas com muito trabalho tenho certeza que futuramente seremos uma grande potência formando e educando muitas pessoas através dessa ferramenta tão rica para o desenvolvimento cognitivo e motor. Para finalizar gostaria de agradecer a Drago Consultoria por oportunizar a divulgação de um esporte não tradicional no Brasil, mas que será através de iniciativas como essa do conhecimento de todos.